Bacia Hidrográfica do Rio Doce

A bacia do rio Doce situa-se na região sudeste brasileira, compreendendo uma área de drenagem de 83.400 km², dos quais 86% pertencem ao Estado de Minas Gerais e 14% ao Espírito Santo. A região abrange 222 municípios, que incluem 461 municípios.

As nascentes do rio Doce situam-se no Estado de Minas Gerais, nas serras da Mantiqueira e do Espinhaço, sendo que suas águas percorrem cerca de 853km até atingir o oceano Atlântico junto ao povoado de Regência, no Estado do Espírito Santo”. (ADOCE,1997).


Os principais afluentes do rio Doce pela margem esquerda são os rios do Carmo, Piracicaba, Santo Antônio, Corrente Grande, Suaçuí Pequeno, Suaçuí Grande, São José e Pancas. Já pela margem direita são os rios Casca, Matipó, Caratinga/Cuieté, Manhuaçu, Guandu e Santa Joana. As vazões médias específicas na bacia são maiores nos afluentes da margem esquerda, nos trechos alto e médio (15 até 35 l/s km2). Por outro lado, a região de menores vazões médias específicas (05 a 10 l/s km2) corresponde à bacia do Suaçuí Grande.
A precipitação média anual na bacia varia de 1500 mm, nas nascentes localizadas nas Serras da Mantiqueira e do Espinhaço, a 900 mm, na região da cidade de Aimorés/MG, voltando a crescer em direção ao litoral.

 

Segundo a classificação de Köppen identificam-se basicamente três tipos climáticos na bacia: o clima tropical de altitude com chuvas de verão e verões frescos presente nas vertentes das Serras da Mantiqueira e do Espinhaço e nas nascentes do Rio Doce; o clima tropical de altitude com chuvas de verão e verões quentes, presente nas nascentes dos seus afluentes, e o clima quente com chuvas de verão, presente nos trechos médio e baixo do rio Doce e de seus afluentes. (CPRM,1999).

Segundo o Anuário Estatístico do Brasil de 1994, publicado pelo IBGE, a população da bacia é de cerca de 3.100.000 habitantes, sendo que 68,7% reside na zona urbana e 93% dos municípios possuem menos de 20.000 habitantes.
As atividades que se destacam na bacia são:

- agropecuária: reflorestamento, culturas de café, cacau, suinocultura e criação de gado leiteiro e de corte;
- agroindústria: sucroalcooleira;
- mineração: ferro, ouro, bauxita, manganês, pedras preciosas e outros;
- indústria: turismo, celulose, siderurgia e laticínios;
- setor terciário: comércio e serviços de apoio aos complexos industriais;
- geração de energia elétrica.” (CPRM,1999)

A região sofre com problemas de inundação, que tem sua origem natural agravada por ações antrópicas.
O desmatamento indiscriminado e o manejo inadequado do solo criaram condições favoráveis à formação do processo erosivo, que somado aos despejos inadequados advindos da mineração e de resíduos industriais e domésticos, deram origem ao contínuo processo de assoreamento dos leitos dos rios da bacia.


Além disso, algumas cidades ocuparam a planície de inundação dos rios. As planícies de inundação são áreas próximas ao leito principal que ocasionalmente são alagadas pelo extravasamento das águas dos rios. De tempos em tempos, eventos chuvosos mais severos provocam o alagamento de parte destas planícies, podendo a área permanecer alagada durante horas, dias ou até mesmo meses. A amplitude da área alagada está ligada, dentre outros fatores, à freqüência do evento chuvoso, ou seja, eventos raros (menos freqüentes) alagam grandes áreas e eventos mais comuns (mais freqüentes) alagam áreas menores.

Copyrigth© 2002. IGAM / SIMGE